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The Runaways

05 julho 2010
Felipe
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texto de Fernanda Zorzetto publicado em Whiplash

The Runaways foi uma das primeiras bandas apenas de mulheres que surgiu. Formada em Los Angeles (Califórnia) no ano de 75, foi a escola de Lita Ford e Joan Jett, além de influência para muitas bandas femininas surgidas principalmente na década de 90, como L7, Babes in Toyland, Girlschool, 7 Year Bitch, entre outras.

No final do ano de 74, em uma festa de Alice Cooper em Los Angeles, o empresário Kim Fowley conhece Kari Krome, na época uma garota de apenas 14 anos, que mostra a ele suas poesias e letras de músicas. Fowley decide montar uma banda e aproveitar o talento da menina.

Kim Fowley era um empresário de rock famoso da época. Escreveu letras e produziu álbuns de muitas bandas famosas. Chegou a fazer figurino e coreografias para as bandas, além de escrever livros de poesia. Para se ter apenas uma idéia do seu currículo, ele canta com Frank Zappa em “Freak Out”, é agradecido por Guns’n Roses e Poison em seus álbuns de estréia e escreveu letras para bandas e músicos como Kiss, Slade, Mötley Crüe, Alice Cooper, Emerson, Lake & Palmer, Cat Stevens e The Byrds. Era conhecido também por seus shows e marketing um tanto controlador e fake para as bandas que agenciava. Ele chegou, inclusive, a fazer várias das letras do The Runaways.

Nascida na Filadélfia, Joan Jett conhece Fowley no estacionamento do Rainbow Bar, em Los Angeles, com 17 anos de idade. Logo começa a tomar aulas de guitarra para formar a banda imaginada pelo empresário e assim se torna a primeira Runaway.

Fowley decide anunciar nos classificados locais vagas para as outras integrantes e consegue encontrar a baterista Sandy West, que acaba levando também Micki Steele para o baixo (mais tarde ela faria parte do The Bangles). Fowley, com seus contatos, consegue que Nick St. Nicholas do Steppenwolf ensine Micki a tocar baixo e a banda começa a se empenhar para gravar algumas demos.

Kari não poderia fazer parte da banda por ser muito nova, porém várias das letras são dela, por exemplo “Thunder”, “California Paradise” e “Yesterday’s Kids”. O nome da banda foi inspirado em suas letras, que falavam sobre “young runaways” (algo como as fugas ou escapes da juventude), além de ser uma homenagem a ela.

No final de 75 a banda lança o álbum “Born To Be Bad” contendo as músicas das demos que elas já haviam gravado, incluindo os covers de “I'm a Star” de Ian Hunter e “Wild Thing” do The Troggs. Na época elas ainda estavam aprendendo a tocar seus instrumentos e o som era cru, numa mistura punkrock.

Na ocasião do lançamento desse primeiro álbum, Kim Fowley promoveu na mídia norte-americana as Runaways com a imagem de adolescentes sensuais, o que, aliada ao fato de que elas tinham entre 15 e 17 anos e o som era bastante cru e quase amador, foi motivo mais do que considerável para a mídia logo rotular a banda como um grupo de adolescentes irresponsáveis, imaturas e que não tinham sustentação musical. Prova disso, é que a aceitação da banda era muito baixa no país e “Born to be Bad” acabou sendo lançado comercialmente nos EUA só em 91. A banda era vista como um produto da indústria e não como uma banda de rock genuína e honesta. Outro obstáculo era a vocalista Cherrie Currie se apresentar de lingerie e cantar letras sobre sexo, o que seria bastante aceitável para a maioria das pessoas se ela não tivesse apenas 16 anos.

A garota londrina Lita Ford se junta à banda e fica com a outra guitarra. Fowley e a banda buscavam mais maturidade e convidam também Peggy, que tinha 19 anos, para ocupar o posto de baixista, antes de Micki. Depois de apenas algumas semanas, ela e a vocalista Cherie discutem pela disputa de quem cantaria a balada “You're My Fantasy" (que acabou nunca sendo lançada), fazendo com que Peggy saia e Jackie Fox (Jacqueline Fuchs) entre em seu lugar.

Depois das mudanças, é lançado em 76 o álbum “The Runaways”, também mal aceito apesar de muita publicidade e promoção. Fowley ainda parecia para o público estar manipulando a banda e a tornando artificial e superficial e a imprensa continuava preconceituosa com a banda, desmerecendo seu trabalho. As Runaways chegaram a ser chamadas muitas vezes de “rebeldes sem causa”.

Além de tudo isso, mulheres num rock mais agressivo eram exceção à regra, ao contrário do folk e do acid rock que já havia aberto espaço para elas desde Janis Joplin entre outras. Joan Jett rebate qualquer crítica mais tarde dizendo que “o álbum mostrou para garotas adolescentes que elas também podiam aprender a tocar um instrumento e montar uma banda. E não ficar atrás de garotos que faziam isso”.

Apenas no final de 76 elas começam a ganhar um pouco de espaço e fazem seu primeiro show, em Nova Iorque. Em fevereiro do ano seguinte sai “Queens of Noise” com produção de Fowley e Earle Mankey, que já havia trabalhado com Concrete Blonde e Beach Boys. O design de capa é de Desmond Strobel, que fez também as capas de “Uriah Heep” (71) e “Salisbury” (71) do Uriah Heep; “Masterpiece” (73) do Temptations e “Rumours” (77) do Fleetwood Mac, e a fotografia é de Barry Levine, que também fotografou o Kiss em “Alive II” (77) e “Killers” (82) e o ABBA em “Álbum” (78). Os temas novamente são sexo, drogas, festas e a convivência entre jovens nas ruas e seus problemas.

As rádios ainda tinham certa rejeição em tocar as músicas da banda, mas as Runaways começam a alcançar grande público no Japão, inclusive lotando vários shows. Prova disso é o próximo álbum, “Live in Japan”, não ter sido lançado nos EUA. Único ao vivo oficial, o álbum foi gravado na tour japonesa durante o mês de junho de 77 e quando a banda começa a ter problemas de relacionamento por causa da dominação do produtor e do abuso no uso de drogas. Boatos, desmentidos pelos envolvidos, de que a baixista Jackie Fox tentou o suicídio no Japão abalaram mais uma vez a imagem da banda nos EUA.

De volta a Los Angeles, Jackie deixa a banda. Currie também sai por brigas com Fowley e Joan se torna também vocalista. Vicki Blue se junta à banda na ocasião no posto de baixista. Mais tarde ela produziria o filme documentário “Edgeplay” sobre a história da banda.

“Live in Japan” marca o fim da formação original: Joan Jett, Cherie Currie, Lita Ford, Jackie Fox e Sandy West. Contendo faixas dos álbuns “The Runaways” e do “Queens of Noise”, foi o álbum mais vendido do estilo no Japão na época.

Mesmo com as mudanças de formação, em dezembro de 77 já é lançado “Waitin’ For The Night” pela Mercury Records, estreando o contrato recém-assinado. Apesar disso, novamente não alcança sucesso nem as vendas esperadas nos EUA e Fowley decide deixar o The Runaways no começo de 78. A banda ainda lutava contra o preconceito que a própria produção havia induzido.

Joan toma a liderança e começa a colocar ordem na casa, mas diferenças musicais começam a surgir. Joan tinha mais influências da música punk, enquanto Lita e Sandy pendiam mais para o heavy metal e glam. A banda então decide contatar Toby Mamis (que já produziu Suzi Quatro e Blondie) para trabalhar o próximo disco e ele acaba indicando John Alcock (Thin Lizzy) para a função.

“And Now... The Runaways” sai em setembro de 78 pela gravadora Cherry Red Records, também do Dead Kennedys, somente na Europa e no Japão. Mais tarde esse álbum é lançado nos EUA com o nome “Little Lost Girls” e com pequenas mudanças no setlist. Ambas as versões trazem os covers “Eight Days a Week” dos Beatles e “Mama Weer All Crazee Now” do Slade. Os teclados ficaram por conta de Duane Hitchings, que já tocou com Alice Cooper, Jeff Back e Rod Stewart.

Mais uma mudança no posto de baixista e Laurie McAllister entra na vaga deixada por Vicki Blue. Os problemas de relacionamento pioram e Joan decide sair em abril de 79. Com sua saída a banda não consegue se sustentar e se dissolve pouco tempo depois. O último show da banda foi realizado em uma comemoração de fim de ano em 78, em São Francisco. Um álbum pirata foi gravado e lançado somente em 1980 sob o título "Flaming Schoolgirls".

Depois de a banda ter terminado, a faixa “Cherry Bomb” fez parte da compilação “1992 - Metal Age: The Roots of Metal”, marcando o reconhecimento tardio. Além do The Runaways, participaram da compilação as bandas Motörhead, UFO, Cheap Trick e Status Quo, entre outras.

Cherie Currie lançou um álbum solo em 78 chamado “Beauty’s Only Skin Deep” e em 80 junta-se com sua irmã gêmea Marie e a baixista Vivki para formar a banda Currie Blue Band, que lança apenas “Messin’ With The Boys”. Cherie ainda teve uma experiência como atriz no filme “Foxes”, com Jodie Foster, e outros menos conhecidos mais tarde.

Jackie Fox se iniciou na faculdade e se formou em direito. Sandy West e Lita Ford tentaram formar outra banda que não vingou e Ford seguiu em carreira solo com rock mais comercial. Joan seguiu solo e foi a única que ainda levou o espírito das Runaways, formando mais tarde a banda Joan Jett & The Blackhearts.

Em uma época em que as bandas de mulheres tinham que provar com seriedade que podiam tocar, elas eram o contrário. Irreverentes e com apelo sexual, certamente perderam credibilidade por isso. The Runaways recebeu muito pouco respeito nos EUA, que hoje reconhecem sua importância. Alguns acham que elas estavam muito à frente de seu tempo, e outros, que não passou de mais uma banda manipulada para vender, com três acordes e muito marketing.

As Runaways não tinham tanta técnica, mas tocavam com o coração. Hoje a crítica admite, elas devem ter vendido muito mais guitarras que discos.


The Runaways (1976)
http://4.bp.blogspot.com/_VSIj0JXt4Kg/SYwDI_m2riI/AAAAAAAACHQ/w77eal72MIY/s400/The+Runaways+-+frente.jpg

Queens of Noise (1977)
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Waitin' for the Night (1977)
http://img12.nnm.ru/3/0/4/0/3/304033993941dc7d19304c752d2a18ff_full.jpg

Live in Japan (1978)
http://1.bp.blogspot.com/_auedyCYHL2A/S6ONEw_MZzI/AAAAAAAAAMk/Fom3opDMyOw/s320/the-runaways-live-in-japan.jpg

And Now... The Runaways (1978)
http://2.bp.blogspot.com/_VSIj0JXt4Kg/SYwFMwHMEMI/AAAAAAAACIA/3-cczUK-SAg/s400/The+Runaways+-+And+now+-+frente.jpg

1 comentários:

Six "Liss" disse...

Não importa a opinião das pessoas, The Runaways é a banda formada por garotas mais importante da história do rock! Mesmo tocando um rock cru, e serem um tanto loucas, também tocando ótimo, foram uma banda transgressora.
Acho que em qualquer época, receberiam mal um tipo de banda assim!

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